domingo, 16 de maio de 2010

Perfume derramado

Betânia!

E um banquete!

Maria em Betânia

e “uma mulher pecadora”em banquete

derramam perfume,

sob o olhar complacente do MESTRE.

Sente-se o cheiro de nardo precioso

derramado,

que se espande

pela doce violência cativante do amor

também derramado.

É o bálsamo que revigora as forças cansadas,

e faz renascer a dignidade perdida,

nunca deixada e sempre buscada.

Maria em Betânia e a “mulher” no banquete

rompem, num gesto gratuito e adorante,

os preconceitos de sempre

diante do olhar transparente e amante do Mestre.

As “marias-mulheres” possuem a coragem do grão de trigo

e emanam a fragrância do Pão.

Intimamente e publicamente,

envolvidas e ocupadas,

não preocupadas

livres no gesto puro de amor,

enterram de vez seu passado

e abrem-se à vida doada,

agora transfigurada.

Seu gesto envolvente, amor derramado,

é vida que cresce ,

é amor confirmado,

direcionado

e vai além das fronteiras.

Maria e a mulher do banquete,

Corajosas mulheres

pelo seu amor derramado,

são vasos refeitos, antes quebrados.

Nós criaturas

somos muito nada,

verdadeiros vasos de argila, furados, cisternas furadas;

e somos muito tudo,

vasos perfumados, nardos preciosos, filhos de Deus.

Somos humanos, pequenos e divinos,

pequenas gotas no imenso OUTRO,

OCEANO INFINITO DE AMOR.

Somos “outros” no “OUTRO”,

odres velhos e vinho novo.

Somos perfume, aroma precioso aos olhos de Deus,

vida nova, amor difundido.

Olhando nos olhos do Mestre,

lavemos os pés uns dos outros.

O olhar de Jesus nos acolhe,

Pois conhece os secretos do amor.

Não paremos!

Criemos raízes profundas de vida

ganhando campo,

crescendo na vida,

jogando sementes e flores

espalhando verde-esperança abundante,

florindo,

multiplicando

pão e frutos do Amor.

Sentemos à mesa do Mestre,

partilhando as luzes e o sustento,

servindo à mesa de todos,

aprendendo com Ele a essencial lição do Amor.

Contemplemos em Betânia e na casa de Simão

o amor centrado no Mestre,

por Ele acolhido e,

porque frasco de puro perfume,

gasto sem preço,

gesto de super-abundância de amor,

por si só,

por sua força interior,

como tal,

difundido.

“ Maria, tomando uma libra de perfume de nardo puro, de alto preço, ungiu os pés de Jesus, e enxugou-os com os cabelos; e a casa encheu-se com o cheiro do perfume” (Jô,12, 7).

“Um fariseu convidou Jesus a comer com ele...Apareceu, então, uma mulher da cidade, uma pecadora. Sabendo que ele estava à mesa na casa do fariseu, trouxe um frasco de alabastro com perfume. E ficando por detrás, aos pés dele, chorava e com as lágrimas começou a banhar-lhe os pés, a enxugá-los com os cabelos, a cobri-los de beijos e a ungi-los com perfume”(Lc 7, 36-38).

Frei Pierino Orlandini

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